Carol La Lach
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Política e cosmética natural: qual a relação?


Qual a relação desses "mundos" a priori tão distantes? No sistema capitalista, amparado por ideias neoliberais, se diz que o mercado não precisa da intervenção do Estado para se auto regular. Essa regulação aconteceria tendo por base os princípios da livre concorrência e a lei da oferta e da procura. A livre concorrência é quando marcas diferentes competem para conquistar mais clientes que seus concorrentes, colocando preços atrativos, entre outros recursos. A lei da oferta e da procura é que quanto maior a oferta e menor procura, os preços ficam mais baixos e quanto menor a oferta e maior a procura, os preços ficam mais altos.

Isso não funciona bem assim, já que existem várias práticas comuns dentro do mercado que vão contra esses princípios, como por exemplo:

  • Várias marcas do mesmo segmento entram em acordo sobre o preço dos seus produtos para que a competição por clientes não crie uma guerra de preços, ou seja o preço é pré fixado entre eles;

  • Quando uma pequena empresa começa chamar a atenção, as empresas maiores compram parte dela ou a empresa inteira para não perder nenhum pedaço do mercado, assim obtendo o monopólio* ou oligopólio* de determinado segmento e formando grandes conglomerados de empresas como por exemplo a Loreal que é dona da Maybelline, Garnier, Niely, Colorama, Kerastase, Redken, de marcas de cosmética de luxo como Giorgio Armani e Lâncome e "marcas de farmácia" como Vichy, La Roche Posay, entre outras;

  • Para empresas com poder e grandeza econômica é prática comum colocar seus preços abaixo até mesmo do custo (já que têm reservas para cobrir o déficit* por um tempo) para destruir a concorrência e controlar o mercado. Depois do objetivo alcançado, voltam para os preços "normais";

  • Redução dos custos ao máximo, inclusive com a mão de obra (leia-se pessoas), o que é conhecido como terceirização de custos*. Para isso essas grandes empresas colocam suas fábricas em países subdesenvolvidos onde as leis e direitos trabalhistas são mais brandas, e onde pagam salários irrisórios. (Lembram do caso Rana Plaza na Índia? Era um edifício que abrigava fábricas independentes de moda entre elas Zara, Benneton, H&M entre outras. Mais de 5000 pessoas, em sua maioria mulheres, trabalhavam em situações precárias, longa jornada laboral e salários baixíssimos. Desabou em 2013, matando 1127 pessoas);

  • Fazem lobby* e se utilizam do seu poder político para interferir em decisões do Estado visando seu próprio benefício.

O Estado tem pouco poder de decisão para regular a Economia, e é totalmente intoxicado pelos interesses de lobbys como do agronegócio e da indústria farmacêutica, por exemplo. Como vêem, fica impossível para empresas pequenas concorrerem com grandes empresas. Pense no poder de compra dessas empresas, pense no poder de barganha, pense no controle que exercem no mundo, dentro de determinado segmento.

Empresas pequenas são locais e acessam uma quantidade restrita e um determinado público. Quando você compra de uma pequena empresa está financiando o sonho de alguém, valoriza o comércio e a produção local. Promove a distribuição de riqueza. Se junte ao movimento #compredopequeno.

*Monopólio: quando uma empresa tem o controle total de determinado serviço, segmento ou produto. Não tem concorrência. Por exemplo: só a SementeBio vende shampoo no mundo.

*Oligopólio: quando uma empresa tem o controle de grande parte do serviço, segmento ou produto no mercado. Por exemplo: a SementeBio é responsável por 50% das vendas de shampoo no mundo.

*Déficit: nesse caso o valor para completar o custo de um produto. Por exemplo: o custo de um shampoo é 12 reais, se vendo por 8 reais, tive 4 reais de déficit, ou seja, de prejuízo.

*Terceirização de custos: quando a empresa não arca com os custos de produção, repassa para terceiros. Por exemplo: quando uma empresa não assina a carteira do seu funcionário.

*Lobby: é a pressão feita por um grupo organizado, a políticos e poderes públicos. No geral funciona assim: as empresas se organizam e apoiam financeiramente a campanha de determinado político, promovem encontros com eleitores… E quando ele ganha, esse grupo organizado vai cobrar os "favores" prestados durante a campanha.

Lua Anahí, aromaterapeuta e designer de cosméticos naturais em SementeBio.

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